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Mais um pedaço do Brasil é entregue sem qualquer reação cidadã...
Foto: reprodução de Embraer

Mais um capítulo de nossa tragédia nacional

Em mais uma negociação nebulosa do governo depois do Golpe de Estado, o governo Temer, acaba de entregar para a Boeing Americana, o controle de mais um importantíssimo e estratégico patrimônio nacional: a Embraer.

A empresa brasileira de aeronáutica, joia da coroa e orgulho nacional acaba de ser entregue ao controle da Boeing, seguindo o dogma que predetermina que as privatizações sejam feitas indiscriminadamente e como se tais tivessem a propriedade mágica de "beneficiar" a economia, independentemente de suas características.

Em mais um caso de total desprezo à opinião pública e de especialistas, o governo ilegítimo de Michel Temer negociou de maneira fechada ao público e negou informações até o último momento sobre o desfecho da entrega do controle da Embraer.

Vale lembrar um importante detalhe da transação, que acaba de ocorrer longe do acompanhamento cidadão, que é o fato da empresa americana que agora controla a empresa brasileira, e com ela segredos de segurança nacional, ser uma estatal. Isto mesmo: a Boeing é uma empresa de controle estatal norte-americana. Por isso a transação pode ser chamada de "transferência", mas não de "privatização".

Por isso trata-se de uma transferência de controle nacional pura e simplesmente. A empresa continua a ser de controle estatal, mas agora de controle do governo dos E.U.A.

Pergunta-se: no que se beneficia o Brasil? No que se beneficia os E.U.A.?

Segundo havia divulgado a coluna do jornalista Lauro Jardim, empresa a norte-americana Boeing fechou a compra do controle da Embraer teria 51% da nova empresa. Na negociação efetivamente fechada nesta semana, a Boeing ficou com 80% da nova empresa. Segundo Jardim, Michel Temer exigiu, segundo divulgado a meses, que a Boeing "só tivesse" 51% – exatamente o controle de mais uma empresa brasileira desnacionalizada, como se a venda parcial significasse preservação dos interesses estratégicos do país. - Mas não significou isso; como visto, a negociação era outra. Para fechar, o valor pago significou apenas 10% do valor dos investimentos públicos do governo brasileiro na empresa, via BNDES, nos últimos anos. 

Isto significa sim, que a partir de agora a Embraer responde ao controlador da Boeing, ou seja, diretamente ao governo norte-americano, juntamente com toda a tecnologia brasileira de aeronáutica, desenvolvida em 5 décadas de trabalho, incluindo-se nisso as sensíveis tecnologias de defesa aeronáutica, caras as forças armadas brasileiras, que em nada criticaram a negociação.

Enquanto isso, a cidadania brasileira segue em seu sono letárgico e em berço esplêndido... - até que lhe tomem também o próprio berço. Terra de ninguém é terra a ser ocupada pelos mais fortes e mais espertos, como se vê.

Fica então a pergunta: até quando a cidadania observará esses movimentos como se fossem apenas parte de uma novela de TV, da qual os observadores não tem participação, a não ser como simples platéia?

Muitos cidadãos dirão que "não temos o que fazer" e ainda: "isso é assim mesmo, eles fazer o que querem" entre outras afirmativas do gênero. Mas esta atitude comum em nossa cultura apenas naturaliza uma situação de conformidade e de concessão à retirada de direitos da população e da soberania brasileira como nação.

É verdade que agora Inês é morta, ou seja, o que foi perdido nenhum salvador da pátria, por mais bem intencionado que seja, poderá reverter, pois uma verdadeira mudança de situação envolve uma mudança cultural, ou seja, precisa partir de uma mudança de atitude política da própria população. Mas, uma reflexão que seria mais produtiva a partir da triste lição que, de certa maneira, o pais está vivendo seria a de se perguntar o que podemos mudar em nossos pensamentos e atitudes para voltarmos a poder dizer que temos orgulho de nosso país, se é que ainda teremos país para podermos ter algum orgulho.

Podemos todos dizer que não temos culpa quanto ao ocorrido com o país mas, certamente, temos responsabilidade com o que ocorrerá de agora em diante e ainda teremos algo a fazer como cidadãs e cidadãos, desde que nos apropriemos da política nacional, como os verdadeiros donos do poder.

Queremos assim sugerir o caminho da reflexão e da apropriação da cidadania sobre o conhecimento mais aprofundado sobre esse e outros fatos políticos atuais, de maneira que acontecimentos como esse não sejam mais indiretamente endossados pelo silêncio de uma enorme parcela da população que ainda é politicamente desinformada.

A. L. Carolli - Por Cidadania e Reflexão

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